A surdocegueira acontece em indivíduos que acumulam duas
perdas sensoriais, a visão e audição, podendo ser uma doença congênita ou
adquirida ao longo de sua vida (pessoas que eram cegas e se tornaram surdas, que
eram surdos e se tornaram cegos, pessoas que se tornaram surdocegas, ou se
tornaram surdocegas antes mesmo de terem adquirido uma linguagem formal).
A perda de tais habilidades sensoriais limita a aprendizagem
incidental e a interação social, e normalmente leva a dificuldades
comportamentais e emocionais (como por exemplo, hiperatividade, comportamentos
obsessivos, agressividade e auto-agressão, estereotipias, auto-estimulação,
distúrbios de atenção, entre outros)
Os indivíduos surdocegos tem dificuldades para adaptar-se a
variedades do mundo real e de indivíduos com os quais se relaciona. Porém, é preciso que interajam diretamente
com esse universo, ainda que seja com mediação, e que não fiquem sendo
estimulados em salas isoladas. Somente assim podem adquirir uma comunicação
mais efetiva que fora construída nessa pluralidade informacional.
A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, desenvolvida para a
educação de pessoas surdas, pode ser adaptada aos surdocegos utilizando-se o
tato. Colocando a mão sobre a boca e o pescoço de um intérprete, ele pode
sentir a vibração de sua voz e entender o que está sendo dito, etadoma.
Também é possível para o surdocego escrever na mão de seu
intérprete utilizando um alfabeto manual ou redigir suas mensagens em sistema
braille. Existe ainda o alfabeto moon, que substitui as letras por desenhos em
relevo e o sistema pictográfico, que usa símbolos e figuras para designar os
objetos e ações.
O uso de símbolos concretos e de uma abordagem multisensorial
para a comunicação de pessoas com DMU e surdocegueira tem se demonstrado muito
eficaz, por lançar mão de uma metodologia tangível ao invés de símbolos
abstratos, tais como a escrita, a palavra falada e a língua de sinais.
Um exemplo concreto é o uso de calendários em que se pode
potencializar a comunicação, o desenvolvimento do autocontrole a partir da
previsibilidade dos fatos, o conceito do tempo, além de garantir o apoio
emocional imprescindível para a aquisição da confiança necessária para a
apre
Segundo a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989 define-se como Deficiência múltipla, a associação, no mesmo
indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual /
auditiva / física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu
desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.
Para uma pessoa com DMU deve-se considerar seu
estágio de comunicação e suas habilidades motoras antes de optar por um sistema
de comunicação (o uso de fotos, objetos concretos, desenhos e contornos, quanto
sistemas pictográficos de comunicação).
As pessoas que tem deficiência múltipla necessita
organizar o seu mundo por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma
comunicação adequada de um ambiente provocador, para responder a suas
iniciativas e expectativas. O seu tempo de resposta precisa ser respeitado e a
habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
A chave para o sucesso chama-se MOTIVAÇÃO. As atividades devem ser funcionais e significativas
para ambas as necessidades especiais, COM ATENÇÃO redobrada para a comunicação.
“Nós não devemos deixar que as incapacidades das
pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades” ( Hallahan e
Kauffman, 1994).


